A imagem do Cristo Crucificado, permanecendo intacta entre os escombros da igreja Sacré Coeur, após o terremoto devastador que abalou o Haiti, serve como símbolo de alerta a humanidade sobe a situação desnivelada que vive os povos do mundo. Grande parte do nosso planeta não tinha conhecimento da realidade daquele país. Após este fato lastimável, um número sem fim de acessos a Internet busca informações sobre aquele povo e seu infeliz destino até aqui.
Sem que haja nenhuma ligação com os fatos, minha lembrança no entanto, viaja até o atentado de 11 de setembro no WTC, através do qual o mundo muçulmano, apesar de sua cultura milenar ignorada, passou a ser alvo de estudos e pesquisas por grande parte do mundo ocidental. Por que aqueles fanáticos terroristas fizeram aquilo? É a pergunta que se fazia: Quem são êles ?
Esses dois acontecimentos lamentáveis têm a natureza e o homem como responsáveis diretos. Mas em ambos os fatos, o resultado, além da dor, das perdas humanas e materiais, é a revelação da fotografia em preto e branco de um mundo literalmente dividido entre pobres e ricos.
Agora muita gente tomou conhecimento do Haiti e das amarguras do seu povo. Como no pós 11 de setembro conheceram os mulçumanos do Afeganistão, do Iraque etc.. O leitor vai perguntar: Onde você quer chegar com esta asneira sem paralelo? Simples. Gostaria que todas as pessoas do planeta soubessem onde estão e como vivem os seus irmãos carentes; que fosse mostrado pela mídia exaustivamente; que fosse matéria obrigatória em todos os cursos nas escolas; que fosse debate constante no mundo acadêmico; que fosse assunto da pauta diária nos governos, enfim que esse assunto cauterizasse a nossa mente numa busca obsessiva pela solução, para não precisar que somente as catástrofes venha a nos chamar a atenção destes desvalidos.
Cristo continua crucificado pela insensatez humana. Nós o manteremos lá enquanto permitirmos que metade da população mundial carregue a cruz da miséria e do desprezo