O que não é confiável, palpável ou comprovado cientificamente pode ser chamado, na historia, de mito. A função interessante deste é tornar o passado compreensível, ou inteligível, na medida que o seu relevante significado se torne universal. Desta forma os mitos são ou se tornam em algumas sociedades regras de comportamento como moralidade, conduta e crença popular de forma que influenciam o “modus vivendi” de um povo. Atemporal e sem conexão de um tempo a outro, sem respostas convincentes, as narrativas gregas se caracterizavam em grande parte como mitos mas nem por isso deixaram de contribuir com a historia.
Existe uma relação entre memória e historia que chega a confundir-nos e a memória não pode ser colocada apenas como lembrança do passado. Trata-se da construção de referencias sobre o passado e o presente de um grupo social, baseados nas transformações culturais deste mesmo grupo. Amparado por tradições que vêem ao longo de gerações, alguns costumes podem, ao meu ver, ser considerado como “memória de um povo”. Os relatos orais de fatos que pontuam o tempo de uma civilização, passados no “boca-a-boca” “de pai para filho” e ainda o acervo cultural constituem, para mim, a construção da memória, no conceito histórico.
Embora considerados os pais da historia, não havia inicialmente na cultura grega interesse pelos fatos no sentido histórico de disciplina a ser estudada. Os livros sobre viagens e historia impregnadas de mitos, e ainda a poesia épica ou lírica abordavam as grandes figuras e acontecimentos do passado sem uma ordem colocada. Somente a partir do século V a.c. com Heródoto e o seu livro “Historias”, que descreve as batalhas do seu tempo e coloca em ordem cronológica as suas narrativas, e ainda escreve sobre a cultura Egípcia, seus monumentos e seu povo, a historia passa a ser considerada, digamos um gênero novo, rompendo com a forma tradicional e mítica de contar ou relatar os fatos.
A historia ciência que estuda o homem e sua ação no tempo, vem como toda ciência ao longo do tempo, evoluindo o seu método de pesquisa, pela arqueologia, pela medição do tempo através do “Carbono 14”, com o auxilio da informática na busca da comprovação cientifica do que se propõe a revelar como fato verdadeiro. A historia é em resumo, a investigação e registros de fatos ou acontecimentos, que devidamente estudados e comprovados são tomados como verdade por consenso entre os pesquisadores, podendo até serem alterados a depender de novas descobertas que venham a contrariar cientificamente este mesmos fatos.
Enfim, mito, memória e historia, não podem ser separados ou estudados individualmente pois se fundem num só caminho na busca do entendimento do nosso passado.