A carência de todos nós

Desde os primórdios, no tempo das cavernas, o homem já se organizava em grupos, daí a afirmação de que ele é um ser gregário, isto é, que necessita se agregar para viver.  Para Aristóteles o “homem é um animal social”. Sim, somos animais que dependemos uns dos outros e mais que isso, somos carentes de afeto. Quando buscamos o reconhecimento nas coisas mais simples que fazemos  queremos na verdade é o  afeto daqueles que nos rodeiam. No nosso trabalho, na escola, no futebol de fim de semana, no encontro festivo do bar, na igreja, na praia… Precisamos nos sentir “amparados” para realmente  alcançarmos a felicidade. Assim sendo, a autossuficiência (não confundir com o conhecimento de si mesmo: autoconhecimento) não passa de um perigoso caminho que leva o homem ao egocentrismo, ao egoísmo, e fat1almente a solidão. Portanto desconfie da pessoa que se diz definitivamente independente de todos, que se basta a si mesmo.

Nós precisamos da nossa família, dos nossos amigos, dos nossos vizinhos, dos transeuntes anônimos, enfim de todos quantos nos rodeiam. São eles que formam o mundo de cada um de nós. Um mundo que faz sentido existir e sem o qual, a nossa vida não teria uma razão de ser.

Carecemos desse mundo que  construímos através das nossas relações humanas; um mundo que nos abrace com a generosidade de uma família e  com a sinceridade de um amigo. Precisamos da compreensão de um vizinho, da  tolerância de um anônimo. Um mundo que venha de encontro a carência de todos nós.

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Um simples “bom dia”.

Enquanto aguardava meu amigo Marcos, representante  comercial como eu, concluir o atendimento de seus clientes naquela cidade, sentei-me a sombra de uma palmeira, no muro do canteiro ao lado da Igreja Matriz. Já estava bem próximo do meio-dia e as pessoas e os carros passavam apressadamente, como já o fizeram ao longo daquela manhã. Ninguém parecia querer perder tempo. Aliás, as pessoas mal se olhavam. Pus-me a folhear o livro sagrado, catando uma passagem aqui outra acolá. De repente ouvi, com toda reverencia possível um festivo “bom dia!”. Levantei as vistas e contemplei a figura de um ancião empurrando a sua bicicleta na subida da ladeira. Agradecido, respondi-lhe afetuosamente “bom dia!”. Ele parou, conversamos um pouco, despediu-se e seguiu o seu rumo.

Naquele momento lembrei que há mais ou menos dez anos atrás, eu estava na recepção de uma empresa aguardando atendimento, junto com mais umas cinco pessoas,  quando o Sr. Clemente ,“Seu Quelé” como era conhecido na cidade,  bradou na entrada do recinto: “bom dia gente!”. Ninguém lhe respondeu, inclusive eu concentrado na leitura de um livro. “Seu Quelé” então nos disse: “Minha gente, tenham educação; o que é isso? Quando a gente dá um bom dia as pessoas devem responder também: “bom dia”. Quanto custa ?”.  Talvez pela aparência humilde daquele homem; ou por desinteresse das pessoas umas pelas outras; ou por falta de educação mesmo; seja lá pelo que for, o “bom dia” do Seu Quelé, tão afetuoso, tão festivo, tão sincero não teve reciprocidade.

Ora mas por que escrever sobre esta bobagem? Sobre um “bom dia” ?. A resposta pode ser: porque é o mínimo que podemos fazer por outras criaturas, por nossos semelhantes.  Cumprimentá-los, desejando-lhes um bom dia pode ser o começo de algo bom, além de evidenciar educação e civilidade.

A propósito,  o texto que eu lia na praça tinha uma mensagem forte e difícil: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Esse ensinamento porem parece utópico e distante da nossa capacidade de praticá-lo.  Comecemos o dia então com um simples “bom dia” a quem encontrarmos pela frente.

 

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O Exército do Senhor

Não sou religioso. Tento ser cristão sem ter religião. Não quero  discriminar nenhuma crença, respeitando a todas, mas as vezes falho. Não quero ter preconceitos de nenhuma natureza, mas ainda luto para removê-los do meu coração. Não trago em mim todas as certezas, aliás, a minha própria humanidade reserva-me o direito de ter incertezas. Justamente por ser humano, normalmente aponto primeiro os defeitos dos outros para depois, às vezes  com ajuda de outras pessoas,  enxergar os meus próprios defeitos. Sou muito bom para criticar mas muito mal para construir. Venho vivendo de braços cruzados no sentido de que deveria estar atento a alguns ensinamentos do Cristo, aos quais eu tento apreender. O mais importantes deles “ama a teu próximo como a te mesmo” me parece utópico e distante de mim.

Mas existem pessoas a minha volta e com as quais convivo, que se tornam cada vez mais um incentivo para eu descruzar  os meus braços. Trata-se dos componentes do “Exercito do Senhor”. São homens e mulheres de fé, cristãos,  que estão se dedicando e vivendo o principal mandamento de Cristo. Para descrever sobre este projeto, vou apenas transcrever na integra a “Carta aos Colaboradores” feita por eles:

 

Caro Colaborador,

 

A proposta do “Exército do Senhor”  é levar esperança aos desvalidos. Àquelas criaturas cujas vidas estão sendo tragadas pelo vício nas drogas; àquelas pessoas que se tornaram moradoras de rua e estão distantes de suas famílias; ou ainda àqueles que nunca tiveram propriamente uma família.

É um trabalho executado por pessoas de bem, abnegadas, sem condições materiais, mas que, supridas por boa vontade, coragem  e fé,  entregam-se  nas ruas, à noite,  levando alívio e alento às pessoas necessitadas de todas as carências.

Este labor não é exclusividade de nenhuma igreja, ou de um grupo fechado. Não tem conotações políticas. Os seus participantes preferem sempre o anonimato aos holofotes.   Aqui o líder é Jesus Cristo, a ordem é o amor, a compaixão e a misericórdia. Servi-LO vai além de freqüentar templos. Buscar os perdidos, cuja salvação não apenas depende da ajuda material como também, e principalmente, do alimento espiritual é o objetivo primeiro. Colocar o homem de pé, restituindo-lhe a dignidade e o seu valor é uma árdua tarefa que não se pode realizar sem Deus.

Por sua boa vontade e colaboração espontânea, somos gratos desejando que Deus ilumine a sua vida e a sua família.

 

EXERCITO DO SENHOR

Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas

Romanos 11:36

                                                

                            CONTATO: 77 8834-6001 / 9131-0408 Marcos

 

Senti-me motivado a descruzar os braços. O meu primeiro passo é esta divulgação. Conheço o caráter e a idoneidade dos fundadores e participantes. Acredito neste projeto.

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Qual é o seu nome ? Onde você mora ?

Sob forte neblina e frio ela estava sendo seguida obstinadamente por dois bem maiores do que ela. Eles não lhe davam trégua. Ela subia e descia a rua e eles lá. Aos dois somaram-se mais dois e depois mais um. Agora eram cinco disputando entre si o privilégio de possuí-la. Suja e lambida por aquelas feras, no cio, ela parecia perdida. Cansaço, fome e sede roubavam a majestade do seu pedigree. Já estava há pelo menos dois dias na rua vagando sem rumo. Pelo que lhe restava de ornamento nas orelhas, além das unhas pintadas, apesar da sujeira adquirida no ermo das ruas, aparentava ser  um cão bem amado. Ela não era “cachorra sem dono”. Mas…, qual seria o seu nome? De que rua ou bairro? De onde viera finalmente? Não estaria àquela hora uma criança chorando pelo desaparecimento de sua querida amiguinha? Perguntas sem resposta.

Diante da entrada na nossa garagem, aquela poodle insistentemente latia como se pedisse ajuda. Ela chegava e retirava-se. Fez e isso por muito tempo naquela noite fria, até que o nosso coração se inquietou. Bastou abrir o portão e ela entrou como se fosse a sua casa. Lembrei-me que, há algum tempo, minha neta passeando na rua comigo, ao encontrar um cãozinho, aproximou-se dele e lhe fez as seguintes perguntas: “Qual é o seu nome?”, “Onde você mora?”. É isso que gostaríamos de saber. Se ela tivesse na coleira  ao menos um telefone para contato, tudo se resolveria.

Tomamos algumas providências para que os seus donos sejam encontrados: Facebook, anúncio em rádio e em pet shops, mas até agora nada. Oxalá venham logo, pois ela (ainda sem um novo nome) está à espera e quanto mais o tempo passa, o nosso coração se acorrenta, o nosso amor aumenta….

 

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Capitalismo x Socialismo no Bar de S. Joel

Não há pauta para as reuniões (sempre as sextas-feira) no Bar de S. Joel. Os assuntos vão surgindo aleatoriamente e os debates vão se formando. Este grupo, que se reúne semanalmente,  é composto de amigos, na sua maioria com30 a40 anos de amizade.

Embora a eloquência dos debates chega  a chamar atenção de quem passa em frente ao Bar, tudo normalmente acaba muito bem, com muita gargalhada e gozação.

Alguns participantes, sinalizando serem  de direita,  acusam o governo brasileiro,  denunciando e anunciando as mazelas do presente e as que hão de vir sobre o país. Os que se julgam de esquerda, evitam a discussão sobre o “mensalão” e  apelam para a memória histórica da prática  de corrupção em Brasília e dos anos seguidos do domínio da chamada direita, sem grandes resultados. E por aí vai….

A nossa mesa, repudia o poder financeiro como diferenciador, nivelando os frequentadores independente de sua posição social;  despreza assuntos fúteis como por exemplo,  o consumismo;  ignora a presença de quem quer que seja que se julgue melhor que os outros;  sempre joga na mega-sena em grupo na busca do capital  para felicidade plena, quem  sabe até deixar de trabalhar.  Essa mesa é capitalista ou socialista ? Vai saber….

No final do debate da semana passada alguém, da direita, colocou uma nota de 20,00 sobre a mesa ao mesmo tempo que dizia: “Aí está o capital. Eu vou pegar e plantar feijão na minha fazenda e assim o capital vai crescer. Sem  capital,  nada feito”. O outro rebateu: “Tudo bem. Se o deixarmos sobre a mesa, daqui um ano, ele estará até desvalorizado e já não serão os 20,00.

Concordamos, disse o segundo ao primeiro, que ele tem que passar pela produção para aumentar o seu valor. Mas a produção implica inevitavelmente a existência de quem faz o capital crescer: o trabalhador. Como ele não vai usufruir do lucro como você, você é o explorador e ele o explorado. Não há  como fugir disso – completou.

A esta altura o tom de voz da rapaziada,  em debate, estava no máximo. Mas ai alguém gritou com uma nota na mão: “Aqui está o capital. S. Joel é o trabalhador. Traga mais uma geladinha aí S. Joel !!! “ E todo mundo caiu na risada.

 

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Bial e os seus heróis vem aí.

 

Por justa razão eu não deveria está comentando este assunto. Assim fazendo posso estar, sem que o programa precise disto, contribuindo para divulgar ainda mais esta aberração chamada “Big Brother Brasil”. É Big Brother  Brasil porque existe a sua versão em outro países. Aliás , trata-se de mais um produto que importamos e, neste caso, algo de péssima qualidade.

Já falamos sobre este assunto anteriormente mas, assim como o programa se repete a cada ano, torna-se necessário também a repetição da crítica, do alerta, para que o bom senso venha reinar nos lares, eu disse lares, não casas. O objetivo é que esses lares busquem outra  alternativa de lazer no horário de exibição do tal programa. Se para adultos é inadequado imagine para crianças e adolescentes.

Rapazes e moças  “sarados”, “bombados” em conversas fúteis, apologia ao sexo, intrigas, traições, mau-caratismo e por aí vai. Esta é atuação dos “heróis” neste teatro de baixaria. Quanto mais falta de pudor mais “heroísmo”.

Não sei  em que se baseou o  apresentador  para chamar os participantes de “heróis”.  Onde pesquisei  não encontrei no significado nada que se relacione com alguém que por dinheiro expõe a sua vida e a sua intimidade para um grande público.

Fiquemos assim: deixa só o Bial dar a sua espiadinha. Afinal são os heróis dele, não os nossos.

 

 

08/01/2013

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Tempo Perverso

 

Passa o tempo,

Não temos tempo,

O tempo é curto.

 

Chega um tempo,

Queremos  tempo,

Não há mais tempo.

 

O tempo levou

O meu bom tempo.

 

Tempo perverso,

Devolve o meu tempo

Eu preciso de tempo.

 

15/12/2012

 

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Um Natal nem tanto feliz

Os olhos deles brilharam de alegria indescritível. A manhã estava ensolarada  e os três saíram a rua com suas bicicletas novinhas. Nas calçadas algumas crianças brincavam também com os seus presentes recebidos na noite de Natal, no dia anterior.  Outras,  apenas contemplavam, e provavelmente sonhavam, sem ter contudo recebido do seu “papai Noel” absolutamente nada. No nosso bairro considerado pobre, a situação ali, há pelo  menos vinte anos atrás, era, ainda mais  que hoje, crítica sob o aspecto econômico social e eu, para alguns vizinhos era visto como  rico pelo fato de estar “bem empregado” e ter até um carro, ainda que velho. Aquela cena, na qual meus filhos brincavam em suas bicicletas, sob o olhar extasiado de outras crianças, perturbou-me a tal ponto que  eu pedi que eles entrassem e  deixassem para brincar outro dia. Claro que eles protestaram mas, pelo menos naquele dia, eles não saíram mais e ficaram brincando no corredor de entrada da nossa casa.

Naquele momento, lembrei-me que na minha infância, no mês de dezembro,  era comum a criançada ir pra o centro  da cidade apreciar as vitrines das lojas as quais expunham brinquedos de todos os tipos. Passávamos horas olhando e sonhando. Viajávamos naqueles trenzinhos rodando em círculos, nos carrinhos de ferro e de madeira enfim… Os meus olhos de criança também olhavam extasiados aquilo que só em sonho poderia ter. Também nas manhãs seguintes as noites de Natal, o desfile de brinquedos nas calçadas onde eu morava,  revelava as diferenças.

Não podemos no entanto aceitar ou afirmar que “o mundo é assim mesmo”.  Que uns tem muito e outros não tem nada e vai ser sempre assim. Antes temos que nos conscientizar que o mundo é de todos nós, os habitantes da terra, que as diferenças não existem pelo fato de os que nada tem serem “incompetentes”. Há de se perguntar  se todos tiveram oportunidades iguais. Se o bolo, que é produzido por todos,  será repartido para todos ou a mesa estará reservada para alguns restando à grande maioria os farelos do banquete. Há de se perguntar como foram  produzidas as riquezas deste mundo, senão pela força do trabalho. E porque a humanidade se transformou numa outra coisa,   longe do que se pode considerar “humano”.

Bem, deixemos o discurso para outro dia. Foi um ano de economia para comprar,  uma após outra, as três bicicletas que mantive guardadas e escondidas até o Natal. Porem naquele dia não me senti bem. Também não me senti culpado, mas envergonhado de mim, do nosso mundo desigual e injusto. No dia seguinte tomei posse da minha hipocrisia cotidiana e segui em frente como se nada tivesse acontecido. Sim, foi um Natal nem tanto feliz.

 

03/11/2012

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Obrigado, FREDÃO

Desde minha infância sempre tive o privilégio de ter um cão por perto. Foram muitos láem casa. Minhamãe sempre diz que “ninguém pode viver sem um bichinho” e eu costumo dizer, exagerando, que  os cães são melhores  do que a gente. Depois que constitui a minha família, tivemos vários. Eles, os cães, nos ajudam na criação dos nossos filhos. Os cães despertam nas crianças, com a devida orientação dos pais, alguns dos sentimentos  mais nobres da criatura humana:  fidelidade, misericórdia, carinho, amor. Eu diria que o cão amolece o coração do homem tornando-o mais humano.

Fredão, nosso ultimo cão, que viveu conosco aproximadamente 14 anos, morreu dia 20 deste mês. Deixou em todos nós, eu, minha esposa, nossos filhos e netos, uma doce e melancólica saudade como se fora ele uma pessoa, uma das nossas criaturas mais queridas.  Em sua homenagem escrevo:

 

Obrigado, Fredão

Pela amorosa companhia, aos meus pés,  debaixo da mesa, enquanto eu trabalhava digitando assuntos da empresa.

Pela sempre festiva recepção quando eu chegava ao portão e você ia anunciar a minha chegada a quem estivesse lá dentro.

Por sua doce presença, e paciência de me escutar lá na varanda enquanto eu arranhava as cordas do violão. As  vezes  em  momentos de tristeza, e lá estava você com o seu olhar de “gente” que entendia tudo.

Pela sua  humilde e terna obediência quando eu anunciava que já era hora de dormir e você, descia a rampa para a sua casinha,  mesmo parando no caminho para olhar para trás, para certificar-se de que eu também fora dormir.

Pela sua disciplina, na hora do banho debaixo do chuveirão. Você vinha educadamente depois do meu convite, sem que fosse necessário sequer que eu levantasse a voz.

Pela sua companhia nas poucas caminhadas que fizemos juntos.

Pela alegria e graça que propocionou a todos nós, a cada reunião de domingo em família.

Por tantas aventuras e coisas engraçadas que vivemos juntos desde que você era um filhotinho.

Obrigado Fredão. Se todos os cães merecem o céu, como diz o filme, com certeza você está lá. Jamais o esqueceremos “cachoão”, “cahoãozinho”.                                          

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Resssaca com três ésses

Hoje nada tenho a falar. Hoje nada tenho a dizer. Hoje não quero conversar, nem sair, nem brincar, nem assistir televisão. Nem ir a missa ou ao culto, nem caminhar, nem ver amigos, nem visitar parentes, nem sorrir, nem chorar, nem tampouco lamentar. Eu não quero a “certeza” quase certa das ciências, nem a promessa “indubitável” das religiões. Não quero as multidões, nem tão pouco a solidão.  Nada de filosofia. Nem piegas. Nem próximo, próximo.

Hoje não é dia. Não é o meu dia. Não quero ouvir o som estridente dos carros que passam incomodando todo mundo. Não, não  me falem de música, nem de qualidade, muito menos daquelas: sertanejas, axé, pagode, nada…nada. Não quero ouvir  celular tocar, já o desliguei. Não vou atender a campanhinha. Meu cachorro, longe de mim. Não quero ler, não quero comer, não quero cinema. Estudar, nem pensar. Nem meus filhos, nem minha mulher, nem minha mãe, nem minha sogra (sogra? – nossa !). Não quero susto. Nem notícias boas ou ruins. O  “Festival de Inverno” foi ótimo.

Eu quero cama, cama e silêncio… tô com dor de cabeça. Quero água, suco, sei lá. Tô de resssaca, com três ésses.

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