Capitalismo x Socialismo no Bar de S. Joel

Não há pauta para as reuniões (sempre as sextas-feira) no Bar de S. Joel. Os assuntos vão surgindo aleatoriamente e os debates vão se formando. Este grupo, que se reúne semanalmente,  é composto de amigos, na sua maioria com30 a40 anos de amizade.

Embora a eloquência dos debates chega  a chamar atenção de quem passa em frente ao Bar, tudo normalmente acaba muito bem, com muita gargalhada e gozação.

Alguns participantes, sinalizando serem  de direita,  acusam o governo brasileiro,  denunciando e anunciando as mazelas do presente e as que hão de vir sobre o país. Os que se julgam de esquerda, evitam a discussão sobre o “mensalão” e  apelam para a memória histórica da prática  de corrupção em Brasília e dos anos seguidos do domínio da chamada direita, sem grandes resultados. E por aí vai….

A nossa mesa, repudia o poder financeiro como diferenciador, nivelando os frequentadores independente de sua posição social;  despreza assuntos fúteis como por exemplo,  o consumismo;  ignora a presença de quem quer que seja que se julgue melhor que os outros;  sempre joga na mega-sena em grupo na busca do capital  para felicidade plena, quem  sabe até deixar de trabalhar.  Essa mesa é capitalista ou socialista ? Vai saber….

No final do debate da semana passada alguém, da direita, colocou uma nota de 20,00 sobre a mesa ao mesmo tempo que dizia: “Aí está o capital. Eu vou pegar e plantar feijão na minha fazenda e assim o capital vai crescer. Sem  capital,  nada feito”. O outro rebateu: “Tudo bem. Se o deixarmos sobre a mesa, daqui um ano, ele estará até desvalorizado e já não serão os 20,00.

Concordamos, disse o segundo ao primeiro, que ele tem que passar pela produção para aumentar o seu valor. Mas a produção implica inevitavelmente a existência de quem faz o capital crescer: o trabalhador. Como ele não vai usufruir do lucro como você, você é o explorador e ele o explorado. Não há  como fugir disso – completou.

A esta altura o tom de voz da rapaziada,  em debate, estava no máximo. Mas ai alguém gritou com uma nota na mão: “Aqui está o capital. S. Joel é o trabalhador. Traga mais uma geladinha aí S. Joel !!! “ E todo mundo caiu na risada.

 

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Bial e os seus heróis vem aí.

 

Por justa razão eu não deveria está comentando este assunto. Assim fazendo posso estar, sem que o programa precise disto, contribuindo para divulgar ainda mais esta aberração chamada “Big Brother Brasil”. É Big Brother  Brasil porque existe a sua versão em outro países. Aliás , trata-se de mais um produto que importamos e, neste caso, algo de péssima qualidade.

Já falamos sobre este assunto anteriormente mas, assim como o programa se repete a cada ano, torna-se necessário também a repetição da crítica, do alerta, para que o bom senso venha reinar nos lares, eu disse lares, não casas. O objetivo é que esses lares busquem outra  alternativa de lazer no horário de exibição do tal programa. Se para adultos é inadequado imagine para crianças e adolescentes.

Rapazes e moças  “sarados”, “bombados” em conversas fúteis, apologia ao sexo, intrigas, traições, mau-caratismo e por aí vai. Esta é atuação dos “heróis” neste teatro de baixaria. Quanto mais falta de pudor mais “heroísmo”.

Não sei  em que se baseou o  apresentador  para chamar os participantes de “heróis”.  Onde pesquisei  não encontrei no significado nada que se relacione com alguém que por dinheiro expõe a sua vida e a sua intimidade para um grande público.

Fiquemos assim: deixa só o Bial dar a sua espiadinha. Afinal são os heróis dele, não os nossos.

 

 

08/01/2013

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Tempo Perverso

 

Passa o tempo,

Não temos tempo,

O tempo é curto.

 

Chega um tempo,

Queremos  tempo,

Não há mais tempo.

 

O tempo levou

O meu bom tempo.

 

Tempo perverso,

Devolve o meu tempo

Eu preciso de tempo.

 

15/12/2012

 

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Um Natal nem tanto feliz

Os olhos deles brilharam de alegria indescritível. A manhã estava ensolarada  e os três saíram a rua com suas bicicletas novinhas. Nas calçadas algumas crianças brincavam também com os seus presentes recebidos na noite de Natal, no dia anterior.  Outras,  apenas contemplavam, e provavelmente sonhavam, sem ter contudo recebido do seu “papai Noel” absolutamente nada. No nosso bairro considerado pobre, a situação ali, há pelo  menos vinte anos atrás, era, ainda mais  que hoje, crítica sob o aspecto econômico social e eu, para alguns vizinhos era visto como  rico pelo fato de estar “bem empregado” e ter até um carro, ainda que velho. Aquela cena, na qual meus filhos brincavam em suas bicicletas, sob o olhar extasiado de outras crianças, perturbou-me a tal ponto que  eu pedi que eles entrassem e  deixassem para brincar outro dia. Claro que eles protestaram mas, pelo menos naquele dia, eles não saíram mais e ficaram brincando no corredor de entrada da nossa casa.

Naquele momento, lembrei-me que na minha infância, no mês de dezembro,  era comum a criançada ir pra o centro  da cidade apreciar as vitrines das lojas as quais expunham brinquedos de todos os tipos. Passávamos horas olhando e sonhando. Viajávamos naqueles trenzinhos rodando em círculos, nos carrinhos de ferro e de madeira enfim… Os meus olhos de criança também olhavam extasiados aquilo que só em sonho poderia ter. Também nas manhãs seguintes as noites de Natal, o desfile de brinquedos nas calçadas onde eu morava,  revelava as diferenças.

Não podemos no entanto aceitar ou afirmar que “o mundo é assim mesmo”.  Que uns tem muito e outros não tem nada e vai ser sempre assim. Antes temos que nos conscientizar que o mundo é de todos nós, os habitantes da terra, que as diferenças não existem pelo fato de os que nada tem serem “incompetentes”. Há de se perguntar  se todos tiveram oportunidades iguais. Se o bolo, que é produzido por todos,  será repartido para todos ou a mesa estará reservada para alguns restando à grande maioria os farelos do banquete. Há de se perguntar como foram  produzidas as riquezas deste mundo, senão pela força do trabalho. E porque a humanidade se transformou numa outra coisa,   longe do que se pode considerar “humano”.

Bem, deixemos o discurso para outro dia. Foi um ano de economia para comprar,  uma após outra, as três bicicletas que mantive guardadas e escondidas até o Natal. Porem naquele dia não me senti bem. Também não me senti culpado, mas envergonhado de mim, do nosso mundo desigual e injusto. No dia seguinte tomei posse da minha hipocrisia cotidiana e segui em frente como se nada tivesse acontecido. Sim, foi um Natal nem tanto feliz.

 

03/11/2012

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Obrigado, FREDÃO

Desde minha infância sempre tive o privilégio de ter um cão por perto. Foram muitos láem casa. Minhamãe sempre diz que “ninguém pode viver sem um bichinho” e eu costumo dizer, exagerando, que  os cães são melhores  do que a gente. Depois que constitui a minha família, tivemos vários. Eles, os cães, nos ajudam na criação dos nossos filhos. Os cães despertam nas crianças, com a devida orientação dos pais, alguns dos sentimentos  mais nobres da criatura humana:  fidelidade, misericórdia, carinho, amor. Eu diria que o cão amolece o coração do homem tornando-o mais humano.

Fredão, nosso ultimo cão, que viveu conosco aproximadamente 14 anos, morreu dia 20 deste mês. Deixou em todos nós, eu, minha esposa, nossos filhos e netos, uma doce e melancólica saudade como se fora ele uma pessoa, uma das nossas criaturas mais queridas.  Em sua homenagem escrevo:

 

Obrigado, Fredão

Pela amorosa companhia, aos meus pés,  debaixo da mesa, enquanto eu trabalhava digitando assuntos da empresa.

Pela sempre festiva recepção quando eu chegava ao portão e você ia anunciar a minha chegada a quem estivesse lá dentro.

Por sua doce presença, e paciência de me escutar lá na varanda enquanto eu arranhava as cordas do violão. As  vezes  em  momentos de tristeza, e lá estava você com o seu olhar de “gente” que entendia tudo.

Pela sua  humilde e terna obediência quando eu anunciava que já era hora de dormir e você, descia a rampa para a sua casinha,  mesmo parando no caminho para olhar para trás, para certificar-se de que eu também fora dormir.

Pela sua disciplina, na hora do banho debaixo do chuveirão. Você vinha educadamente depois do meu convite, sem que fosse necessário sequer que eu levantasse a voz.

Pela sua companhia nas poucas caminhadas que fizemos juntos.

Pela alegria e graça que propocionou a todos nós, a cada reunião de domingo em família.

Por tantas aventuras e coisas engraçadas que vivemos juntos desde que você era um filhotinho.

Obrigado Fredão. Se todos os cães merecem o céu, como diz o filme, com certeza você está lá. Jamais o esqueceremos “cachoão”, “cahoãozinho”.                                          

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Resssaca com três ésses

Hoje nada tenho a falar. Hoje nada tenho a dizer. Hoje não quero conversar, nem sair, nem brincar, nem assistir televisão. Nem ir a missa ou ao culto, nem caminhar, nem ver amigos, nem visitar parentes, nem sorrir, nem chorar, nem tampouco lamentar. Eu não quero a “certeza” quase certa das ciências, nem a promessa “indubitável” das religiões. Não quero as multidões, nem tão pouco a solidão.  Nada de filosofia. Nem piegas. Nem próximo, próximo.

Hoje não é dia. Não é o meu dia. Não quero ouvir o som estridente dos carros que passam incomodando todo mundo. Não, não  me falem de música, nem de qualidade, muito menos daquelas: sertanejas, axé, pagode, nada…nada. Não quero ouvir  celular tocar, já o desliguei. Não vou atender a campanhinha. Meu cachorro, longe de mim. Não quero ler, não quero comer, não quero cinema. Estudar, nem pensar. Nem meus filhos, nem minha mulher, nem minha mãe, nem minha sogra (sogra? – nossa !). Não quero susto. Nem notícias boas ou ruins. O  “Festival de Inverno” foi ótimo.

Eu quero cama, cama e silêncio… tô com dor de cabeça. Quero água, suco, sei lá. Tô de resssaca, com três ésses.

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“Quanto mais grana, melhor ?”

O  americano Edward Glaeser, economista e professor  em Harvard, através de entrevista nas “paginas amarelas” da revista Veja de 28 de março deste ano, defende as grandes cidades e o seu crescimento como “chave para prosperidade”.  Diz ainda que à população “Aumentam as chances de ascender, ganhar mais e ter acesso ao que há de mais avançado”.  Sobre as favelas ele afirma que elas não são provocadas pela grande concentração urbana, mas esta é que atrai o mais pobres em busca de oportunidade. Critica Ghandi sobre o seu engano ao afirmar que para se conhecer a “India verdadeira”  não era suficiente visitar os grandes centros mas os seus mais de 700 mil vilarejos. Cita Atenas  e sua importância para o mundo creditando o seu progresso à troca de idéias pela convergência de acadêmicos e artistas de várias partes do mundo; Florença do século XV e por aí vai.

O professor afirma que para se erguer a infraestrutura básica das cidades, por serem grandes aglomerações, economiza-se mais em relação, por exemplo, ao campo, onde as pessoas vivem mais espalhadas. Critica a manutenção da paisagem urbana, conservada,de Paris, sugerindo que nem tudo deve ficar de pé e que cidades não são museus. Defende a moradia em arranha-céus em detrimento  do custo de morar em  residências maiores nos subúrbios. Afirma que a intervenção dos governos no mercado imobiliário  atrapalha  ao dizer “sempre que as autoridades decidem interferir com mão pesada no livre mercado o cenário piora , e não é pouco”.

Perguntado qual seria a sua sugestão para tornar as cidades menos caóticas o professor diz que não há soluções mágicas e reforça que o governo deve tomar medidas quanto a investimento em transportes, segurança etc. “no lugar de ficar se metendo onde só atrapalham”.

 O que entendi,  me perdoem se eu estiver errado – como diz meu colega Miguel Junior-  é que as grandes cidades devem continuar crescendo sem parar, engaiolando os seus moradores em arranha-céus e que as pessoas devem continuar na busca dos seus sonhos neste “livre mercado” onde a ordem é  ascender  sempre  e  consumir cada vez mais, isto é, elas são números e, nada mais que isso; que as nossas cidades-monumentos com seus conjuntos arquitetônicos, memória da nossa historia – não tem muito valor;  que os governos são uma ameaça ao livre mercado.

 Percebi que não há referencia a  humanização do ambiente urbano,  nem tampouco às  relações entre os seres,  no discurso do professor. Sua fala se concentra na defesa do livre mercado no campo imobiliário, sem uma preocupação evidente com a criatura humana. E olha que estamos falando de cidades, de gente, do homem. É , pelo jeito eu não entendi bem o que o professor quis dizer. Talvez o seu discurso esteja oculto. Ao invés de “Quanto mais gente, melhor” ,  o título da reportagem poderia ser  “Quanto mais grana, melhor” ?  O que vocês acham?

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O louco e a festa

A multidão estava em êxtase. Aalegria era geral. Parecia haver um nivelamento entre os seres humanos, sem diferenças de nenhuma ordem. Todos pareciam igualmente felizes e maravilhosamente  dopados pela estridente musica. O mundo os via pela TV. As demais nações do planeta se perguntavam: Mas que sociedade feliz e maravilhosa é esta que vive de festa?  O que lhes trouxe tamanha igualdade e alegria de viver ?  Seria  esta a sociedade  sonhada pela utopia da esquerda ? Uma avançada  sociedade capitalista na qual todos são ricos? Ou a “nova terra” esperada pelas religiões ?

Enquanto a festa acontecia, e não acontecia outra coisa a não ser festa, um homem, um louco, da sacada de um prédio, gritava para multidão, obviamente sem ser ouvido, palavras de ordem: “Traidores! Vocês só se preocupam com festa! Há uma multidão oculta apodrecendo nos lixões e nas calçadas, famintas de tudo, nas prisões, nos sertões. Estão a sua volta e vocês não enxergam. São os seus irmãos invisíveis. A desonra e a corrupção como uma ratazana gigante, corrói o queijo verde e amarelo ! Eduquem-se, politizem-se ! Dêem um tempo neste banquete de pão e circo ! Vamos a luta!”

A festa continuava e do grande cavalo de aço  as ordens vinham e o povo graciosamente ensaiava mais uma coreografia, numa obediência cega, religiosa.  “A podridão da indiferença está maravilhosamente oculta sob o manto desta alegria fabricada” –  gritou mais uma vez o louco da sacada. Mas porque aquele homem se enfureceu, se enloqueceu ?  Porque,  se ele morava na nação mais alegre e festiva do mundo ?  Porque este discurso desentoado,  diante de tamanha festa e alegria ?

Em suas mãos ele tinha um livro de  Paulo Freire aberto numa página onde se lia: “Olhávamos de cima um braço de rio poluído, sem vida, cuja lama, e não água, empapa os mocambos nela quase mergulhados. ‘Mais além dos mocambos’, me disse Denílson, ‘há algo pior: um grande terreno onde se faz o  deposito do lixo público. Os moradores de toda redondeza ‘pesquisam’ no lixo o que comer, o que vestir, o que os mantenha vivos’. Foi desse horrendo aterro, que há dois anos, uma família retirou de lixo hospitalar pedaços  de seio amputado com que preparou seu almoço domingueiro.”

O louco queria uma revolta, exigia uma ação para dar fim ao mar de hipocrisia onde navegava os sonhos individualistas daquele povo. O louco não sabia que se a ordem para revolta viesse do cavalo de aço, a quem a multidão obedecia fielmente, o seu querer seria realizado.

 

(Para o amigo e  colega Miguel Junior)

 

 

A multidão estavaem êxtase. Aalegria era geral. Parecia haver um nivelamento entre os seres humanos, sem diferenças de nenhuma ordem. Todos pareciam igualmente felizes e maravilhosamente  dopados pela estridente musica. O mundo os via pela TV. As demais nações do planeta se perguntavam: Mas que sociedade feliz e maravilhosa é esta que vive de festa?  O que lhes trouxe tamanha igualdade e alegria de viver ?  Seria  esta a sociedade  sonhada pela utopia da esquerda ? Uma avançada  sociedade capitalista na qual todos são ricos? Ou a “nova terra” esperada pelas religiões ?

Enquanto a festa acontecia, e não acontecia outra coisa a não ser festa, um homem, um louco, da sacada de um prédio, gritava para multidão, obviamente sem ser ouvido, palavras de ordem: “Traidores! Vocês só se preocupam com festa! Há uma multidão oculta apodrecendo nos lixões e nas calçadas, famintas de tudo, nas prisões, nos sertões. Estão a sua volta e vocês não enxergam. São os seus irmãos invisíveis. A desonra e a corrupção como uma ratazana gigante, corrói o queijo verde e amarelo ! Eduquem-se, politizem-se ! Dêem um tempo neste banquete de pão e circo ! Vamos a luta!”

A festa continuava e do grande cavalo de aço  as ordens vinham e o povo graciosamente ensaiava mais uma coreografia, numa obediência cega, religiosa.  “A podridão da indiferença está maravilhosamente oculta sob o manto desta alegria fabricada” –  gritou mais uma vez o louco da sacada. Mas porque aquele homem se enfureceu, se enloqueceu ?  Porque,  se ele morava na nação mais alegre e festiva do mundo ?  Porque este discurso desentoado,  diante de tamanha festa e alegria ?

Em suas mãos ele tinha um livro de  Paulo Freire aberto numa página onde se lia: “Olhávamos de cima um braço de rio poluído, sem vida, cuja lama, e não água, empapa os mocambos nela quase mergulhados. ‘Mais além dos mocambos’, me disse Denílson, ‘há algo pior: um grande terreno onde se faz o  deposito do lixo público. Os moradores de toda redondeza ‘pesquisam’ no lixo o que comer, o que vestir, o que os mantenha vivos’. Foi desse horrendo aterro, que há dois anos, uma família retirou de lixo hospitalar pedaços  de seio amputado com que preparou seu almoço domingueiro.”

O louco queria uma revolta, exigia uma ação para dar fim ao mar de hipocrisia onde navegava os sonhos individualistas daquele povo. O louco não sabia que se a ordem para revolta viesse do cavalo de aço, a quem a multidão obedecia fielmente, o seu querer seria realizado.

 

(Para o amigo e  colega Miguel Junior)

 

 

 

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A trajetória da Rainha

De quem se julga ser realmente uma rainha, que já viu até duendes, não se pode esperar muita coisa além da afirmação do seu egocentrismo. Foi o que se viu e se ouviu na entrevista da Xuxa, dada ao Fantástico no último domingo, dia 20 de maio.

Desfilando os problemas de sua infância, sem explicar exatamente quando aconteceram os fatos, Xuxa acusa amigos da família de terem abusado dela até os 13 anos. Diz também que não denunciava as pessoas por medo.  Mostra-se ressentida com o seu pai, considerando-o ausente e perdoa a sua mãe por ter cinco filhos para criar e não ter babá para auxiliá-la.

Até os 15 anos ela era “gata borralheira” e vítima do destino, mas as portas se abriram para um futuro promissor quando foi convidada para ser modelo. Embora tenha dito “Eu sempre gostei de aparecer” ela, de início, recusou o convite alegando não se achar bonita, mas acabou  enveredando por esta carreira.

Falando de seus amores que, segundo ela, foram poucos,  todos se prostraram a seus pés.  O rei Pelé a elegeu como sua rainha. Mandava-lhe flores e insistiu tanto ligando para a sua mãe, que enfim conseguiu o aval para o namoro, que acabou num relacionamento de 6 anos. Airton Senna foi o grande amor que surge em sua vida, ligando para Globo “pra tudo quanto é lugar”, querendo conhecê-la e mandando um avião busca-la. Mas o avião tinha de ser grande porque a rainha não voa em pequenos aviões. Namoraram um pouco e depois de já separados, e apesar do campeão já estar com outra,  a rainha quis ir atrás dele. Afinal a vontade da majestade deve ser uma lei e, aquele fato, o do campeão já estar namorando outra, não se constituía em nenhum obstáculo. Até o Michel Jackson, através do seus  empresários, buscaram ser dignos da mão da rainha mas, tudo foiem vão. O Zafir não foi citado, apesar de ser pai da princesa Sacha. Aliás, plebeu,  ele entrou na historia de Xuxa como coadjuvante, seu papel,  não deve ter sido,  para ela, muito importante.

Além dessa passagem “majestosa” pela sua vida sentimental, ela falou de suas qualidades entre as quatro paredes,  que surpreendem os seus amantes apaixonados. Ela afirmou também que gostaria de estar calminha, já que está perto dos cinqüenta anos mas,  os hormônios… “ô desgraça” – disse ela.

Em seguida ela chama atenção para sua aparência, dizendo, com falsa modéstia, que não tem a beleza que gostaria de ter. “Eu não quero ter cara de tamanco” disse ainda sua majestade,  referindo-se as pessoas que fazem plástica. Ela prefere ficar velhinha como está ficando.

Por fim ela retorna a sua infância, e faz vinculo do que houvera sofrido com a sua luta pela defesa das crianças. Para ela o seu sofrimento na infância deve ter sido a preparação para sua missão futura e salvadora das crianças. Presunçosa,  diz que poucas pessoas viram ou viveram o que ela viveu.

Para quem tem  a mínima capacidade de pensar, dá para perceber que a entrevista de Xuxa, em que pese o fato de, segundo ela, ter sido abusada sexualmente, não passa de mais uma exibição vaidosa, na qual ela quer, ou melhor tenta ser,  o centro do universo. 

Ela revela do seu passado tudo aquilo que:  ou a faz vítima ou a faz um ser especial – adorado – tudo é para sua glória! É no fundo uma exaltação do seu próprio ser. Paciência, egos inflados são peculiaridades das rainhas ou das pessoas que se imaginam como tal.

 

 

 

21/05/2012

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Comentário sobre o filme “1984” baseado no livro de George Orwell

Obra de ficção que tem como tema central a opressão do estado ao povo através de uma tirania, cujo poder centralizado a tudo comanda, “construindo” a historia ao seu modo. Uma severa critica aos regimes totalitários onde a “verdade” é criada e imposta à população a partir dos interesses do Estado  e de um  único partido.

Winston Smith, personagem principal é funcionário do governo, e  trabalha na imprensa  controlando e alterando as noticias que são dadas a população, para favorecer o regime de modo que este tenha sempre razão. Todas as pessoas são vigiadas por telões e a sociedade está dividida entre funcionários externos e internos do partido e os proletários. Uma entidade misteriosa, o grande irmão (big brother) detém o poder supremo e sua imagem é vista por toda parte como se fora um deus (lembrando a Mao-Tse-Tung e outros tiranos como Hitler, Stalin que sempre tiveram suas imagens cultuadas por imposição da propaganda política). A meta do partido é controlar o passado alterando as noticias anteriormente publicadas, o presente  impondo uma  disciplinada de robotização do ser pela obediência cega,  e o futuro através da destruição gradual dos valores humanos, da emoção, dos sentimentos comuns e,  finalmente,  da família, que  representa uma ameaça ao modelo desejado pelo estado: uma multidão disciplinada que produz sem parar. As lembranças do jornalista, de uma infância distante vivendo com sua mãe e irmãos sob os escombros da guerra, revelam momentos vagos de sua vida passada e ratifica a necessidade que o homem tem de ter a sua historia preservada, de ter um passado. E isso, o estado tratava de apagar em todos os cidadãos.

Amargurado pelo seu oficio e percebendo a insanidade daquele modelo de sociedade na qual vive, Winston passa a registrar secretamente num diário algumas anotações relativas ao seus sentimentos e mantém encontros secretos com uma colega de partido, que divide com ele, opiniões, angustias e sonhos. Essas pequenas liberdades são proibidas e  obviamente se contrapõe a filosofia do regime, tornando-os   inimigos do estado.

Convidado pelo seu superior, Sr. O´Brien, para uma conversa em seu escritório,  se ilude de que, tal como ele e Julia, sua amante,   também o seu chefe estava insatisfeito, e se enche de esperança de que  algo poderia acontecer para mudar aquela situação. Porem, dá-se o contrário, ambos são presos e torturados por este mesmo homem,  até aceitarem aquela “verdade absoluta” do estado.  Modificada a sua  visão de realidade, eles não só a aceitam como também passam a amar o seu autor-controlador – o Grande Irmão.

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