Um dia para não se esquecer

Acordei cedo, liguei para minha filha e combinei que levaria minha neta para dar um passeio. Afinal era o dia das crianças. Minhas duas filhas e o meu filho mais velho com os respectivos cônjuges programaram um  churrasquinho no pequeno terraço do prédio onde moram. Enquanto eles aprontavam tudo, fui para uma pracinha próxima brincar com a minha neta. O parquinho da praça tinha raros brinquedos como balanço, escorregadeira, gira-gira (roda com cadeirinhas), quase todos depredados.  Aproveitamos ao máximo e depois fomos para a sombra das árvores brincar de Princesa e Rei. Bem, só estávamos nós dois então tive que fazer vários personagens com vozes diferentes, afinal num reinado tem que ter guardas, súditos, bruxa, príncipe e por aí vai. Improvisei com a chave do carro e gravei o nome dela em uma arvore. A manhã se foi e na volta, passamos na sorveteria e nos esbaldamos de tanto picolé e sorvete . Podemos ficar mais um pouco vô? – perguntou ela. Não querida, o sol está muito quente  e sua mãe, seus tios e  sua vovó estão nos esperando para nosso churrasquinho e vai ser legal. – Respondi. Ela me disse:  Sabe vô é um dia para não se esquecer. A gente brincou tanto. Pois é filha, eu também jamais esquecerei este dia.

Este dia para não se esquecer, nas palavras da minha neta, revelam o quanto uma criança valoriza brincar ao ar livre e viajar nos sonhos e fantasias da sua infância. Mas, esta mudança de tempo (velocidade), em que por opção ou necessidade, os pais confinam seus filhos diante da TV ou do Computador, está maltratando os pequenos e subtraindo deles o vigor físico e mental robotizando-os em linguagem e brincadeiras de um tipo só fazendo-os surfar numa mesma onda. Todos  tem que ser gênios ! A competitividade começa cedo ! E pra completar os avós, com raras exceções, estão mais preocupados em ginástica, cremes para pele e lipo, tentando em vão, conter os efeitos do tempo. E por falar em tempo, o meu é pequeno, mas tenho me esforçado para desempenhar bem o meu papel de avô.  Não é conservadorismo não, é amor, só isso.

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