O Refúgio do Guerreiro

A vida de Ilton daria um livro de milhares de páginas e seria uma aventura digna de roteiro de filme. Ele amava e desprezava a vida. Amava-a pois era movido a sonhos. Desprezava-a pois não temia a morte nem dava bolas pro azar: não se preocupava muito com a saúde.

 Durante a sua vida teve apenas três empregos: trabalhou em balcão de farmácia, depois em atacado de medicamentos  e frentista de posto de gasolina. Neste ultimo, quando saiu , decidiu  que não teria mais patrão dali por diante e trabalharia por conta própria. Assim seguiu sua estrada. Aprendeu a profissão de tapeceiro e junto com seu irmão Cláudio  montou uma pequena fabrica de móveis, mas não deu continuidade. Abriu uma sorveteria que funcionou  pouco tempo. Resolveu plantar chuchu, no terreno do seu outro irmão Ozair, mas não logrou resultado. Adquiriu então uma terra na caatinga e foi fazer carvão, mas também não demorou por lá. Com uma motocicleta passou a vender cigarros. Passada a fase do cigarro comprou um bar próximo a feira livre de Conquista, mas, certa manhã, já de saco cheio do bar, trocou o estabelecimento por  20 mil quilos de cebola. O preço da cebola caiu na semana seguinte e ele teve grande prejuízo. Entrou no ramo de bombonière e abriu um pequeno atacado. Não deu certo o negocio e  ele ficou com um carro do tipo “pega frete” vendendo Coca Cola de bar em bar . Deixou de vender refrigerante e passou a vender cachaça, mas não por muito tempo. Comprou uma terra em Divisa Alegre-MG, próximo a Candido Sales-BA. e foi plantar café. Antes de conseguir colher os primeiros grãos , vendeu a terra e adquiriu novamente um pedaço de caatinga. Passou algum tempo por lá depois negociou a terra num trator. Nesta atividade demorou um bom tempo. Mas acabou trocando o trator por um pedacinho de terra próximo a cidade de Berizal-MG. E foi lá onde ele estava tentando fixar sua residência, lá onde ele batizou como “Refugio do Guerreiro”, que Deus o chamou para Seu convívio,  poupando-lhe, quem sabe, uma agonia ainda maior mais adiante em sua vida, uma vez que a sua saúde já era bastante debilitada.

 

A vida sentimental a exemplo da profissional,  também  foi bastante tumultuada. Demonstrava ser duro e escondia sua fraqueza emocional. Era demasiadamente carente de afeto e proteção, mas não deixava ninguém perceber isso. Por conta  de suas aventuras e desventuras, não conseguiu manter seu casamento e acabou arranjando um filho fora do lar. Amoroso apesar de ausente, sempre foi amado por eles. Brincalhão, contador de estórias e sempre sorridente era querido na roda dos amigos. Apesar de amá-lo, a  maioria dos seus parentes tinha restrições quanto a seu “modus vivendi”. Mas enfim, ele seguia , caía e se levantava, trabalhando duro, com a cabeça nas nuvens, nos sonhos… e  assim foi até o ultimo dia de sua vida.

 Meu irmão parecia ser ingênuo como um  menino sonhador que se esquece de por os pés no chão. Nós o aconselhávamos mas ele, teimoso como uma mula, raramente nos ouvia. Uma coisa temos que reconhecer: coragem para trabalhar  e espírito empreendedor jamais lhe faltaram. Descanse em paz querido, nos braços do Senhor. ÊLE agora é  seu refúgio,  o Refúgio do Guerreiro.

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2 Responses to O Refúgio do Guerreiro

  1. sulamicke says:

    Esse meu tio vai deixar muitas saudades , pelas sua alegrias, suas piadas,suas prosas rsrsrs . saudades

  2. Wesley says:

    Sem Palavras….Só Lagrimas.

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