A trajetória da Rainha

De quem se julga ser realmente uma rainha, que já viu até duendes, não se pode esperar muita coisa além da afirmação do seu egocentrismo. Foi o que se viu e se ouviu na entrevista da Xuxa, dada ao Fantástico no último domingo, dia 20 de maio.

Desfilando os problemas de sua infância, sem explicar exatamente quando aconteceram os fatos, Xuxa acusa amigos da família de terem abusado dela até os 13 anos. Diz também que não denunciava as pessoas por medo.  Mostra-se ressentida com o seu pai, considerando-o ausente e perdoa a sua mãe por ter cinco filhos para criar e não ter babá para auxiliá-la.

Até os 15 anos ela era “gata borralheira” e vítima do destino, mas as portas se abriram para um futuro promissor quando foi convidada para ser modelo. Embora tenha dito “Eu sempre gostei de aparecer” ela, de início, recusou o convite alegando não se achar bonita, mas acabou  enveredando por esta carreira.

Falando de seus amores que, segundo ela, foram poucos,  todos se prostraram a seus pés.  O rei Pelé a elegeu como sua rainha. Mandava-lhe flores e insistiu tanto ligando para a sua mãe, que enfim conseguiu o aval para o namoro, que acabou num relacionamento de 6 anos. Airton Senna foi o grande amor que surge em sua vida, ligando para Globo “pra tudo quanto é lugar”, querendo conhecê-la e mandando um avião busca-la. Mas o avião tinha de ser grande porque a rainha não voa em pequenos aviões. Namoraram um pouco e depois de já separados, e apesar do campeão já estar com outra,  a rainha quis ir atrás dele. Afinal a vontade da majestade deve ser uma lei e, aquele fato, o do campeão já estar namorando outra, não se constituía em nenhum obstáculo. Até o Michel Jackson, através do seus  empresários, buscaram ser dignos da mão da rainha mas, tudo foiem vão. O Zafir não foi citado, apesar de ser pai da princesa Sacha. Aliás, plebeu,  ele entrou na historia de Xuxa como coadjuvante, seu papel,  não deve ter sido,  para ela, muito importante.

Além dessa passagem “majestosa” pela sua vida sentimental, ela falou de suas qualidades entre as quatro paredes,  que surpreendem os seus amantes apaixonados. Ela afirmou também que gostaria de estar calminha, já que está perto dos cinqüenta anos mas,  os hormônios… “ô desgraça” – disse ela.

Em seguida ela chama atenção para sua aparência, dizendo, com falsa modéstia, que não tem a beleza que gostaria de ter. “Eu não quero ter cara de tamanco” disse ainda sua majestade,  referindo-se as pessoas que fazem plástica. Ela prefere ficar velhinha como está ficando.

Por fim ela retorna a sua infância, e faz vinculo do que houvera sofrido com a sua luta pela defesa das crianças. Para ela o seu sofrimento na infância deve ter sido a preparação para sua missão futura e salvadora das crianças. Presunçosa,  diz que poucas pessoas viram ou viveram o que ela viveu.

Para quem tem  a mínima capacidade de pensar, dá para perceber que a entrevista de Xuxa, em que pese o fato de, segundo ela, ter sido abusada sexualmente, não passa de mais uma exibição vaidosa, na qual ela quer, ou melhor tenta ser,  o centro do universo. 

Ela revela do seu passado tudo aquilo que:  ou a faz vítima ou a faz um ser especial – adorado – tudo é para sua glória! É no fundo uma exaltação do seu próprio ser. Paciência, egos inflados são peculiaridades das rainhas ou das pessoas que se imaginam como tal.

 

 

 

21/05/2012

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One Response to A trajetória da Rainha

  1. Sempre muito claro e direto com as palavras transcritas meu caro “ADMUNDO”. Excelente texto! Adimiro muito sua forma de escrever, eu acrescentaria apenas um filme (zinho) que a “nossa Rainha” protagonizou… Afinal ela “adora” crianças!
    Um abraço.

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