XVIII – O reencontro

Antes de seis horas da manhã todos da casa já haviam tomado café e Climério já estava novamente pronto para “correr trecho” em busca de trabalho. Dolores apanhou sua inseparável Bíblia, despediu-se do pai e da mãe. Chegando para Climério, falou:

- Que dia cê quer ir na minha igreja? Tô ino pra lá agora.

- Qualqué dia, Dolores. Por inquanto preciso achar trabái. Preciso rodar por aí. Cê viu onte deu na televisão que ta fartano emprego?

- Apega com Jesus que ele vai lhe mostrar o camim…

- Tô apegado cum Ele e tudo conté santo…

Dolores insistia na sua pregação, que mais era uma encheção de saco no juízo de Climério. Ele para retaliar fazia questão de deixar patente a sua fé inabalável nos santos. Desta forma, toda vez que eles se encontravam, uma discussão se iniciava. Embora nunca chegassem a um acordo, porque a religião separa pessoas ao invés de uni-las, eles mantinham o debate em bom nível sem maiores problemas, mas cada um na sua defesa.

Semanas depois, indicado por amigos do Seu Genário, Climério se dirigiu para um grande canteiro de obras, no qual construíam-se vários prédios. Pela sua grandeza, dava pra ver de longe o aglomerado de edifícios. Finalmente, lá ele conseguiu trabalho.

Pelas contas de Climério devia haver pelo menos duas mil pessoas trabalhando ali. Uma multidão. Um sobe e desce sem parar de material, misturavam engenheiros a pedreiros, ajudantes, soldadores, eletricistas, enfim, homens das mais variadas profissões e procedentes de várias partes do país se encontravam ali sob o ritmo frenético da São Paulo que não pode parar.

Após uns quinze dias de trabalho, aconteceu algo inesperado que Climério jamais poderia imaginar. O mestre-de-obras, o transferiu para o bloco B da construção e naquele mesmo dia, frio e cinzento, ao meio dia, na hora da bóia, o destino aprontou-lhe um  encontro surpreendente.

Um homem muito forte e grande, não tanto musculoso, mas realmente um gigante de mais ou menos cento e cinqüenta quilos e quase dois metros de altura, sentou-se, colocou o caldeirão no fogão improvisado, e aguardou silenciosamente até que fervesse aquele feijão com charque. Climério sentiu algo “familiar” naquela criatura gigantesca e aproximou-se. Tocou-lhe no ombro e disse:

- Eu acho que cunheço o sinhô…

O homem continuou olhando para o seu caldeirão com a sua “bóia”, como se não tivesse ouvido ninguém. Climério insistiu:

- Eu sou de Riachim… Monte Verde… Santa Maria.

- Num sei de nada qui cê tá falano – retrucou o homem.

- Mas eu lembro do sinhô… Meu nome é Climério. Eu sou fí de D. Joaninha.

Aquele nome, Joaninha, o incomodou, mudando-lhe o semblante. Ele virou-se vagarosamente, cuspiu um pedaço de fumo mascado no chão e apenas olhou rapidamente para Climério.

Climério então certificou-se que realmente o conhecia. Era Altamirando, sim , o “Boi”, aquele que fugira de Riachinho depois do assassinato. Naquele episódio, ele, então com dez anos, ouvira falar que o motivo da morte daqueles homens foi ciúme de Boi pela sua mãe. Já haviam se passado portanto quatorze anos do acontecido.

- Sua mãe é viva? Perguntou Boi com sua voz de trovão.

- É sim sinhô. Ela continua morano na merma casa. Ta lá no mermo lugazim.

- Hummmm.

- E o sinhô? Tá por aqui já faiz tempo, né?

- É…

- Dona Dozinha tá bem veinha. Parece qui tá caducano. Num ta cunheceno mais as pessoa. O sinhô sabia? o sinhô tem tido notiça dela?

- Não…

Boi jogou quase um litro de farinha de mandioca no caldeirão mexeu bem e começou a comer.

- Quer?

- Não sinhô, pode se servir. Eu acabei de cumê agora, nestantim.

Climério não quis perguntar mais nada a Boi pois sentia que o incomodava. Ele sabia que aquele homem era de pouquíssima conversa. Também não fez nenhuma referência ao passado, por medo da reação dele.

O apito soou chamando todos de volta ao trabalho. A tarde continuava fria. Boi subiu no Elevador e foi para o ultimo andar da construção.

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XVII – A conversa

No dia seguinte, depois de acomodado no quarto dos rapazes da casa, Climério pegou sua mochila, certificou-se que os seus documentos estavam em ordem, despediu-se do pessoal da casa:

- Vô correr trecho, sé devo vortá de noite.

Para aqui, para acolá, de construção em construção, nada de trabalho. Lanchonetes, bares, supermercados… nada.

Finda o dia e a noite iluminada da grande São Paulo brilha majestosa. Climério, no entanto, retorna ofuscado, mas esperançoso. Afinal de contas ele já estivera lá anteriormente e sabia que era uma questão de tempo. Logo estaria empregado. No caminho de volta ele pega o metrô e vai pensando: “Virge Maria, cada veiz mais Son Palo tá mais doido. E eu qui tô pensano em trazê meus fí e a muié pra cá…”.

Depois de tomar banho e jantar com a família, sentou-se com Dolores, a sua mãe D. Florilda e o seu Genário, pai, de frente a televisão.

- E aí Climério, achou trabái? – Perguntou Genário

- Inda não, cacei in tudo qui é lugar. Mas Son Palo é grande, amanhã vô girá por aí de novo.

- É, mais as coisa aqui num tá boa mermo não. Cê vêi numa frase difíce. Tá teno é desemprego, e muito…

- É… mas se Deus quiser e o sagrado Bom Jesus da Lapa, logo, logo eu acho emprego.

Dolores interferiu na conversa e disse:

- É Climério, cê tem que apegar com Jesus, mas né cum a image do Bom Jesus da Lapa não. Aquilo lá é só um pedaço de pau. Num serve pra nada.

- Oxente Dolores! Cê tá doida? Deus castiga, tu falano assim… Fica brincano!

- Eu num tô brincano não. Cê tem qui creditá só ne Jesus e na Bibla.

- E os santo, que tanto ajuda todo mundo?

- Esses não! Eles num serve pra nada…

- E Nossa Sinhora?

- Sua Sinhora, pra mim ela foi uma muié como outra qualqué.

- Quem te botou isso na cabeça, Dolores?

- Êpa! Para aí cêis dois.Vamo vê as notiça. Óia lá o jornal – Falou com firmeza Genário

“E agora as manchetes do dia: Cresce assustadoramente o numero de desempregados na Capital de São Paulo. Veja os detalhes com a nossa repórter.”

Horas mais tarde, Genário tocou o ombro de Climério e disse: vá para cama… cê tá cochilano faiz tempo…

Seu Genário certificou que as portas e janelas estavam bem fechadas, e, quando ia apagar as luzes, Climério apareceu na porta do quarto e disse:

- Daltro e Vaninho num chegaro ainda…

- Senta aí Climero, xô te contar umas coisa que cê num sabe ainda. Eles num tem hora pra chegar nem pra sair. Num posso perguntar nada que eles vem com mil pedra na mão. Eu mermo num sei o que eles faiz, mas dicunfio que num é nada honesto. Eu fiz de tudo pra insinar eles no caminho certo, mas depois que nóis cheguemo aqui muita coisa mudou. Eles foi cresceno, engrossano o pescoço, sairo do meu comando. Juntou cum bucado de cabra safado, qui aqui tem muito, e foi nas influença deles. Já tivero até preso.

- E eu to veno a hora de chegar aqui uma notiça ruim.

- Meu fí, eu to aqui mas tenho vontade de vortar lá pra nosso sertão. Tem dia que me dá uma saudade de lá, de todo mundo, do tempo que meus fí era piqueno, tudo junto brincano. Cê lembra, né?

- Tio Genaro, porque intão o sinhô num vai simbora? O sinhô ta aposentado…

- É… mas a mãe num quer apartar dos fí… Mas… vamo durmir qui tá passano da hora, vamo.

Enquanto se encaminhavam, cada um para o seu aposento, Climério pediu a benção.

- Bença, Tio Genaro!

- Deus te abençoe, Climero!

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XVI – O encontro

A rodoviária de São Paulo estava como um formigueiro. Climério desceu do ônibus sem se preocupar com bagagem pois trazia apenas uma sacola de mão. De repente ele ouviu:

- Tio Climério! Ei…! Aqui!

Ele girou olhando para todos os lados. Viu então aquela moça de corpo avantajado acenando e correndo em sua direção.

- Tio Climério! Num tá me conheceno não, né?

- É Nalvinha?

- Não… Dolores! É que eu engordei um poquinho.

- Ah bom… Como vai? Cadê a turma?

- Tamo indo com a graça de Deus. Pai mandou eu vim encontrar com o senhor…tem bagage não?

- Não, é só isso. Já casou?

- Inda não… Deus tá providenciano um marido pra mim.

- Pois é Dolores, apela pra Santo Antonhe casamenteiro… quem sabe…

- Esse não! Num credito mais ne santo, só ne Jesus…

- Oxente e porque?

- Agora eu sou evangélica. Sou obreira.

- Ob… ob… o quê?

- Obreira é quem ajuda lá na igreja…

- Tá bom… vamo simbora no camim nóis conversa mais.

Seguiram então, tomaram o ônibus e continuaram a conversar. Muito assunto e Dolores falando de religião sem parar, já incomodando Climério, que pacientemente ouvia.

- Sim mas me fala aí cadê Vaninho, Daltro e Nalvinha?

- Ah tio. Se Deus num tiver pena e se eles num entregar o coração pra Jesus eles vai acabar morreno matado.

- Oxente Dolores como qui cê fala assim dos seus irmão?

- Daltro mais Vaninho viraro dois perdido. Ninguém sabe o que eles faiz. Só sei que só anda de roupa bonita, gastano dinheiro com cachaça e os vizinho fala até queles roba e consome droga…

Os olhos de Climério se arregalaram de espanto. Veio-lhe a mente doces recordações da infância, quando ele Vaninho e Daltro brincavam pelas veredas da caatinga em Riachinho. Montando em jegue, trepando nos umbuzeiros para balançar a árvore fazendo cair centenas de frutos maduros pelo chão… as festas de São João… Ah que tempo bom, tempo da inocência… agora perdida.

- E Nalvinha? Como vai ela?

- Essa é outra doida. O senhor precisa ver as roupa quela veste. Sai de casa, passa uns quinze dias sem dá as cara. Diz que vai simbora de casa pra morar só. Briga mais pai e mãe todo dia. Num ouve consei de ninguém! Vanin e Daltro também já falaro até em dar uma surra ne pai. Mas num fala que eu disse nada pro senhor não viu? Senão é eu qui vou sofrer…  Já tamo chegano, falta pouco…

Naquele caos da cidade grande, gente, carros, arranha-céus, multidão, fumaça desfilavam aos olhos de Climério, sem contudo lhe causar espanto ou admiração pois ele já estivera naquele inferno. Pensou nos filhos, em Maria Clara, em sua mãe, na solidão das estradas de Riachinho, no silencio da noites do seu lugar…

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XV – A partida

Duas lágrimas apenas rolaram na face de Maria Clara. Seus filhos não choraram, endurecidos, pareciam entender a situação como se fossem adultos.

- O sinhô vem buscá nóis pai? – Perguntou Alexandre, o mais velho.

- Tô ino qui é o jeito meu fí. Mais pai vorta. Se der jeito eu vem buscá cêis tudo. Cuida de sua mãe e de seus irmão. Cê agora é o chefe da casa. – Assim falando Climério piscou o olho para o filho, pegou na mão de Maria Clara:

- Assim qui eu puder, eu ligo lá pra casa de Pedro do Armazém pra dá notiça. Ele falou qui eu posso ligá. Nelsin vai ficar cum a bicicleta pra ficar te avisano toda veiz qui chegar as cesta base… Se Antonha parecer, chama ela pra ficar mais ocê e os minino. Seu avó vai ficá vino de veiz em quando pra vê como tá as coisa. Se parecer alguém pra ajudá, bom, mas se vier cum cunversa de comprar nossa terrinha cê manda ele ir pros inferno.

- Cê despediu de sua mãe, Climério?

- Tó ino pra lá agora.

Climério ajeitou seus pertences na bicicleta, uma pequena mochila de pano, um saco plástico com alguns objetos, e dirigiu-se a casa de sua mãe, a poucos quilômetros dali, seguindo as empoeiradas estradas daquele sertão de Deus.

- Vim pedir sua bença. mãe… Tô ino simbora pra Son Palo mas só vai eu só, dispois eu vem buscá a famía.

- Deus te abençoe, meu fí. Toma cuidado lá. Aquilo é o fim do mundo, cê já sabe, já foi lá.

- Prercupa não mãe, eu sei andá lá. Vô ficá na casa do tio de Maria Clara, Genaro… ele tá bem lá, tá tudo ajeitado, mãe.

- Deus te leve e traga, meu fí. Vai rezano, pede ajuda os santo também, pra te livrar das armadia daquele fim de mundo.

Climério abraçou a mãe, beijou as suas mãos e despediu-se dos demais indo para Santa Maria de onde partiria o ônibus para São Paulo, com o patrocínio da prefeitura.

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Cristo Crucificado – Insensatez Humana

A imagem do Cristo Crucificado, permanecendo intacta entre os escombros da igreja Sacré Coeur, após o terremoto devastador que abalou o Haiti, serve como símbolo  de alerta a humanidade sobe a situação desnivelada que vive os povos do mundo. Grande parte do nosso planeta não tinha conhecimento da realidade daquele país. Após este fato lastimável, um número sem fim de acessos a Internet busca informações sobre aquele povo e seu infeliz destino até aqui.

Sem que haja nenhuma ligação com os fatos, minha lembrança no entanto, viaja até o atentado de 11 de setembro  no WTC, através do qual o mundo muçulmano, apesar de sua cultura milenar ignorada, passou a ser alvo de estudos e pesquisas por grande parte do mundo ocidental. Por que aqueles fanáticos terroristas fizeram aquilo? É a pergunta que se fazia: Quem são êles ?

Esses dois acontecimentos lamentáveis têm a natureza e o homem como responsáveis diretos. Mas em ambos os fatos, o resultado, além da dor,  das perdas humanas e materiais, é a revelação da  fotografia em preto e branco de um mundo literalmente dividido entre pobres e ricos.

Agora muita gente tomou conhecimento do Haiti e das amarguras do seu povo. Como no pós 11 de setembro conheceram os mulçumanos do Afeganistão, do Iraque etc.. O leitor vai perguntar: Onde você quer chegar com esta asneira sem paralelo?  Simples. Gostaria que todas as pessoas do planeta soubessem onde estão e como vivem os seus irmãos carentes; que fosse mostrado pela mídia exaustivamente; que fosse matéria obrigatória em todos os cursos nas escolas; que fosse debate constante no mundo acadêmico; que fosse assunto da pauta diária nos governos, enfim que esse assunto cauterizasse a nossa mente numa busca obsessiva pela solução, para não precisar que somente as catástrofes venha a nos chamar a atenção destes desvalidos.

Cristo continua  crucificado  pela insensatez humana. Nós o manteremos lá enquanto permitirmos que metade da  população mundial carregue a cruz da miséria e do desprezo

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GLOBALIZAÇÃO

 

Embora a idéia não seja nova, a globalização que existe desde as mais remotas épocas, reaparece em nossos tempos com uma força irreversível, conduzindo a humanidade, ao meu ver, a um futuro que já se desenha, no presente, como incerto e calamitoso.

A globalização que deveria ter um efeito democrático no mundo, visando o fortalecimento das nações com base em um livre e justo comércio, tornou-se um dragão voraz pregando a democracia de consumo, pois apóia-se única e essencialmente no lucro ganancioso das grandes corporações. As instituições democráticas, estão corrompidas por estas forças sinistras e sucumbiram a sua doutrina: a corrupção.

Produzindo cada vez mais a um custo menor os seus produtos, com a abundante mão de obra escrava disponível no terceiro mundo, as grandes empresas, principalmente do hemisfério norte,  tornaram-se multinacionais “propulsoras do desenvolvimento” a um custo social sem precedentes pois a concentração de renda no planeta jamais alcançou níveis tão perigosos para  a humanidade.

O que se apregoa por aí:“o mundo é  agora um só” ou “o mundo é plano – sem fronteiras ou obstáculos entre os paises”  é uma grande mentira. Estando o homem a margem de qualquer interesse, ou colocado em segundo plano, o mundo jamais será um só.

A miséria é reinante e sabemos que 50 % dos povos vivem em condições de pobreza absoluta. Mas as grandes empresas  que governam o mundo e detém o poder sobre a produção, a política, os governos, a mídia  e até a arte, estão cada vez mais ricas e poderosas pois a globalização lhes concedeu este mandato. Quanto a população faminta, ela  só vai ser interessante  para o  mundo “civilizado” quando ingressar na democracia de mercado  para aumentar a concentração de renda dos poderosos.

Os americanos levantaram seus muros na fronteira com o México, a xenofobia é efervescente nos paises europeus ou  seja os ricos querem distancia dos pobres, na verdade só os querem como consumidores ou como trabalhadores serviçais.

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Mensagem

Um homem, morador de rua, recebeu em sua morada sob um viaduto, a visita de um senhor vestido de Papai Noel que lhe presenteou com um cobertor felpudo de boa qualidade. Aquele pobre coitado, moribundo recusou-se no entanto a receber o presente, agradeceu e disse ao “Papai Noel” que já tinha um bom cobertor e que ele levasse para outra pessoa. Intrigado com a recusa,  o P.N. perguntou-lhe de que mais necessitava então. O pobre homem disse:  preciso de um cobertor que me traga calor humano, que me cubra de dignidade, que me aqueça de esperança e que por fim me embale num profundo sono no qual eu possa sonhar com um mundo justo em que a emoção supere a razão e o “ser” consuma o “ter” , porque só assim seremos todos felizes inclusive o senhor “seu” Papai Noel”. Assustado, surpreso  com o que ouviu do mendigo o jovem cidadão travestido resolveu “gastar” um pouco do seu tempo fazendo outras perguntas ao homem. O senhor é poeta ? Cursou faculdade ? Onde está sua família ? Porque o senhor está na rua ? É uma opção  de vida ou … ? Sofre de alguma doença ? Foi um  longo interrogatório. E todas as perguntas foram respondidas. Você leitor gostaria de saber o desfecho dessa historia ?  Vá aos campos, cidades, vilas, ainda que não leve presentes nem se vista de Papai Noel, busque  as pessoas a sua volta, se interesse pelo seu semelhante, tenha tempo para aqueles que lhe procuram, enfim viva aquele mandamento que parece impraticável: “ama a teu próximo como a te mesmo” – você vai ter muitas surpresas ! – Feliz 2010!

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Choque de moralidade

Estamos precisando e muito. Os anos vão passando e estamos nos deteriorando enquanto sociedade. Invertemos os  valores, exaltamos, não a liberdade mas a libertinagem. Festejamos a imbecilidade cultural dessa pobreza musical da atualidade, com suas letras ridículas e pornográficas. Admitimos “ a justiça com as próprias mãos” em detrimento das leis não serem cumpridas. Aplaudimos a irreverência irresponsável dos nossos ídolos do futebol, da musica etc. e a tomamos como modelo. Assistimos aos nossos políticos, estas criaturas viciadas, cometerem os seus delitos e não nos indignamos, achando isso normal. Nos contentamos com o baixíssimo nível cultural dos nossos estudantes e achamos  justificável a omissão dos professores por causa do seu péssimo salário. Achamos civilizado qualquer modelo de família em que o papel do pai e da mãe possa ser descartado.

E vamos assim caminhando ….  Isso é normal, isso é natural, isso é progresso, isso é civilizado. E as famílias vão acabando, as grades aumentando em  volta das nossas casas, a violência nos alcançando cada vez mais, a desilusão se apoderando da massa….

Tudo isso se faz existir apenas pela ausência de um grande valor: o valor moral . Esse precioso valor exige “disciplina” e necessita de guardiões (não confundir com sensores) para que o respeito seja restaurado e venhamos a nos envergonhar de tanta irracionalidade. Mas onde estarão eles ? Sim, eles os guardiões da moralidade? Somos nós: adormecidos no conformismo e desanimo diante da grande dificuldade em reverter a situação. A coisa desanda sutilmente em atitudes simples como por exemplo,cortar a fila do Banco ou não ceder o lugar para velhos e senhoras sentarem no ônibus.

Acho que precisamos de um choque de moralidade em todas as áreas da vida da nossa sociedade ,cada vez mais, corrompida e sem rumo.

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A Cabana

O autor, filho de missionários evangélicos, revela o seu entendimento de Deus segundo o que aprendeu em casa. Não concordo que na essência ele contrarie os ensinamento dos pais, conforme diz alguns críticos.  Com a trindade ratificada, governando o planeta e tudo que nele há, Deus, Jesus Cristo e o Espírito Santo  desempenham funções independentes em harmonia  e concordância divinas, difícil para o entendimento racional humano, mas ao alcance do personagem principal do livro, que está lá nesse encontro fazendo o seu questionamento buscando os “porquês” da vida e dos fatos que lhe sucederam. O relacionamento entre o homem e o seu semelhante e  de Deus com os humanos  é relevante neste best-seller  de Willian P. Young.

A ofensa, a dor, a resignação e o perdão convivem neste livro, no qual, volto a dizer, o relacionamento entre os seres humanos é o caminho para o amor final: a cura da alma.

O sucesso do livro deve-se principalmente ao grande interesse das pessoas  em questões que envolvam  o entendimento de Deus e o sentido da vida. O gênero está na moda e a carência de todos nós é grande.

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A Crise…. e Lula tinha razão !

Quando o presidente Lula, com o seu otimismo invejável, declarou que a crise mundial não seria um tsunami mas apenas uma “marolinha” aqui no Brasil, não só os economistas mas a imprensa caiu matando em comentários tão agressivos que beiravam o rancor. A rede Globo, em particular, fazendo oposição sistemática ao Governo, trabalhou diuturnamente buscando números que indicasse que a crise já estava instalada e que fatalmente o presidente estaria em maus lençóis com relação a sua afirmação. A maioria dos brasileiros no entanto não se abalou com os prognósticos alarmantes e apocalípticos de Miriam Leitão e o Brasil  parece não ter sentido nem mesmo a marolinha do presidente.

Segundo José Álvaro Cardoso (Técnico do Dieese) as  medidas tomadas pelo Governo naquele momento, usando o BNDES, Caixa Econômica e  Banco do Brasil, socorrendo as empresas sem liquidez, aliada a situação confortável das reservas nacionais somando-se ainda ao crescimento econômico social (20 milhões de brasileiros passaram de pobre para classe média nos últimos anos)  funcionou decisivamente para que o  Brasil não sofresse o efeito devastador da crise.

Com os números indicando o contrário do que a imprensa ( Globo, Veja etc) parecia almejar, a economia brasileira mostrou a sua pujança e ninguém mais lembra dessa tal crise(ou marolinha ? )  O país mais promissor e  seguro para se investir no cenário internacional hoje chama-se Brasil. Lá fora dizem: o “Brasil de Lula”. Aqui  cada vez fica mais difícil de engolir esse tal “barbudo analfabeto”. Reconhecemos  que o presidente as vezes fala mais do que deve. Mas enfim,  se  comparado a todos os governos anteriores temos que admitir que “nunca antes nesse país vimos o povo tão feliz”. É isso aí . O tsunami (palavra masculina no Dicionário Houaiss) virou uma “marolinha” e o prognostico do presidente deu um a zero nos pessimistas de carteirinha : ecnomistas de oposição e a imprensa camaleoa (cameleão fêmea) que alterna sua cor de neutra para marron de vez em quando.

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